A Peculiar

15/12/2015

A lenda de Futa-kuchi-onna


Yo! Yo! Faz um tempinho que não faço uma postagem sobre algum assunto, então venho falar de uma das minhas mitologias japonesas favoritas. Bom tenho varias favoritas mais essa me encanta por detalhes que saberão mais a frente, eu sei sou estranha. Bom Futa-kuchi-onna um youkai japonês, seu nome vem da junção de três kanjis (palavras japonesas), que significa:  "dois", futa (二), "boca", kuchi (口) e "mulher", onna (女). Na nossa tradução seria algo como "mulher de duas bocas". Esse nome se formou por ela possuir duas bocas, a normal em seu rosto e uma outra na nuca. Na mitologia japonesa a futa-kuchi-onna pertence à mesma classe de histórias que a rokurokubi, kuchisake-onna e a yama-uba, ou seja mulheres amaldiçoadas ou com doenças sobrenaturais que as transforma em youkai.

Para quem não entende muito bem...algumas doenças podem ser colocadas por outro youkai ou da própria família que as vezes pula gerações, um dos animes que mostra isso é o InuYasha quem já assistiu compreendera mais fácil o que estou dizendo. A natureza sobrenatural dessas mulheres geralmente mantida em segredo até o último minuto, quando o sua forma verdadeira o que deixa a historia bem mais interessante. Ela tem a aparência de uma mulher normal que e sob os cabelos, um pouco acima do pescoço, tem uma segunda boca totalmente funcional (com os lábios, dentes e língua). Normalmente é uma boca comum, mas de acordo com a historia, muitas vezes se mostra com um aspecto muito mais arrepiante: dentes afiados e um tamanho desproporcional e língua comprida. Essa segunda boca possui vida própria, pois está possuída por um espírito vingativo que atormenta sua dona, gritando documentalmente ou xingando se não for alimentada ou se não lhe der o que agrada, e se isso acontecer a boca possuída ainda pode manipular os cabelos da mulher como se fossem tentáculos para consumir o alimento que bem desejara.

De acordo com a lenda, ter essa boca é uma forma de punição/castigo para mulheres que não se alimentam direito ou corretamente que consequentemente desenvolvem distúrbios alimentares ou aquelas que possui gula/comem compulsivamente, para resumir se não possuir hábitos regulares de alimentação. A Futakuchi-Onna muitas vezes passa despercebida por aqueles com quem convive (humanos), geralmente é só descoberta depois de alguém ou mais pessoas a perceberem que os alimentos estão desaparecendo misteriosamente em quantidade, já que a segunda boca come muito mais que sua anfitriã. A lenda em si não é assustadora, nem sua aparência de se temer... mas uma boca com consciência própria e pensa, não, para ser mais correta o espírito rancoroso que a possui pensa...isso dá bastante medo, afinal se  pensa pode fazer mais coisas do que só gritar, xingar e manipular cabelos. Ele não é só capaz disso como de forçá-la a cometer quase qualquer tipo de ação ate mesmo um crime, como torturá-la psicologicamente se recusar a fazê-lo, murmurando constantemente fazendo a lembrar do sentimento de culpa que a levou a ter uma segunda boca e se tornar um youkai (monstro)... Isso é apenas sobre a boca em si, porém ainda há uma historia.


A lenda do O avarento:

Dizem que a muito tempo, vivia em uma cidade japonesa um artesão muito trabalhado e habilidoso que já se estava passando da idade de ter esposa e filhos, ele vivia bem financeiramente porque renunciou casar-se. Não por não porque ele era muito religioso ou porque não gostava de mulheres, mas porque produziu uma aversão profunda a idéia de ter que manter uma mulher e sustentar uma boca a mais... Ele lutou e se esforçou para possuir, então seu dinheiro era seu dinheiro!  Não queria compartilhar com ninguém, queria desfrutar de tudo sozinho, uma boca a mais gasto a mais. Porém isso mudou quando um dia uma nova habitante na cidade chegou, ela era uma jovem sozinha, sem marido, pai, filho, conhecido ou qualquer parente. A mulher possuía a pele lisa e branca como a neve recém caída, cabelos longos e negros sedosos, seu rosto era inundado de uma beleza sem igual. Ao vê-la o artesão ficou encantado, não só por sua beleza mais seu jeito delicado e dócil, ele desejou-a com intensidade, e a queria para sí. Passou-se dois dias e ele percebeu que ela comia muito pouco... tão pouquinho que a tendo em casa, implicaria num gasto econômico insignificante comparado ao bem estar que àquela companhia o traria. Assim ele começou a corteja-la até que finalmente a convenceu a casar-se e levou-a para morar com sigo.

No inicio tudo era alegria,  ela era uma companheira agradável, divertida e dócil, além do mais o artesão estava muito feliz pós ela comia muito pouco. Mas o tempo passou e o homem percebeu que seus estoques de alimentos estavam esgotando de forma rápida e misteriosa, e em quantidades como se fosse além de si mesmo e de sua esposa, no entanto ele sabia que não tinha sido roubado pois ele vigiava muito bem suas posses, não tinha como alguém ter entrado em sua casa. Então, será que era sua esposa estava comendo a reserva quando ele não estava?... Foi muito difícil de acreditar, porque ela era tão magra quanto quando ele a conheceu, e já deveria estar como um lutador de Sumô se comesse tanto. Mesmo assim ele decidiu espioná-la para acabar as suspeitas, então certa manhã ele fingiu ir trabalhar, mas ficou em casa escondido. O que viu o deixou sem palavras, horrorizado, e teria gritado se não temesse perder a vida. Sobre a cama onde dormia muitas noites com aquela mulher de pele branca como marfim, havia uma coisa inimaginável, horrenda, o que ele não conseguia entender era como não havia percebido? Como não sentia àquilo quando suas mãos tocavam a cabeça de sua esposa? Uma enorme com lábios, boca, língua e dentes, a boca viva que sua esposa possuía atrás de cabeça. A boca murmurava coisas que ele não conseguiu ouvir, mas deviam ser acusações pois sua esposa chorava com feições de remorso enquanto a boca controlava seus cabelos como se fossem tentáculos, a mulher levantou e caminhou até as panelas de arroz, a boca viva usou seus cabelos para pegar uma colher e engolir a comida vorazmente... Foi a coisa mais terrível que já viu em toda sua vida, poucos dias depois pensou em se divorciar de sua esposa, mas a segunda boca pressentiu a intenção do artesão e o surpreendeu na banheira, levando-o para as montanhas para matá-lo, mas ele conseguiu escapar e se escondeu entre as plantas e a água esverdeada de um pântano, onde permaneceu até a sua mulher diabólica desistir e ir embora.

Esta é a versão mais popular, a outra ela consegue encontrá-lo e o devorar o rosto do pobre homem.



Porque se tornam uma Futakuchi-Onna?

Há quatro versões sobre a origem dessa segunda boca, cada um pode ser considerado uma lenda individualmente, mas todos têm pontos em comum.

A mulher que não come: Hoje em dia é chamado de "anorexia", mas sempre houve mulheres que se privavam de comer para se manterem super magras; assim, quando gravemente doentes, às vezes, eram punidas por forças sobrenaturais. (Aparecer uma boca consciente que as obrigassem a comer.)

Esposa do lenhador: Nessa versão está relacionada a uma história particular em que um lenhador estava cortando uma árvore, um dia, sua esposa apareceu de repente e ele inadvertidamente cortou-a acima do pescoço. Isso não matou a mulher, mas a ferida que nunca cicatrizou, e uma boca viva cresceu no lugar dessa ferida.

Mãe egoísta: Nessa versão diz que a maldição da boca  consciente também recai sobre qualquer mãe, ou mesquinho, ou guloso. Alimentam-se fartamente, e não dão quase nada para seus filhos, levando-os a ficar doentes e a morte. O espírito do falecido volta para assombrá-los sob a forma de uma boca na parte de trás da cabeça.

A mulher que não alimenta seus enteados: Dizem que quando uma madrasta não alimenta seus enteados e só alimenta sua própria descendência, é severamente punida. Se sua conduta provocar, direta ou indiretamente a morte de um enteado ou enteada. Cai sobre sob uma terrível maldição em que o espírito do enteado (a) falecido entra em sua cabeça fazendo crescer uma segunda boca para comer muito mais do que lhe foi negado na vida.

Essa crença está relacionada com uma história comovente, no qual uma madrasta malvada tinha uma filha e uma enteada. A filha ela tratava bem, alimentava em abundância, e ao enteado era dado somente o suficiente para evitar a morte, mas isso foi debilitando a saúde da criança, que ficava constantemente doente e um dia veio a falecer. Em de 49 dias (o tempo máximo em que a alma está em vida após a morte antes de reencarnar, de acordo com o budismo), a madrasta começou a sentir uma dor terrível nas costas e sentia um buraco em sua cabeça, parecia estar abrindo, algo estava crescendo, e às vezes ela ouvia a voz da enteada em sua cabeça... até que um dia acordou e deparou-se com uma boca. A boca falou com a voz da enteada porque foi possuída pelo seu espírito, sedento de vingança, exigiu comida em uma quantidade muito maior do que lhe deu em vida.

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